Como o RAID 0 distribui os dados
O RAID 0 também é chamado de striping, a distribuição em faixas. O volume é cortado em blocos de tamanho fixo e cada bloco vai para um disco, em sequência: o primeiro no disco A, o segundo no B, o terceiro de novo no A. Isso soma capacidade e velocidade. Não existe cópia: o dicionário do SNIA, a associação da indústria de armazenamento, define o RAID 0 como distribuição sem redundância, que perde dados com a falha de qualquer disco do conjunto.
Na prática, um arquivo de alguns megabytes já fica espalhado por todos os discos. Por isso não adianta ligar o disco bom sozinho num computador: ele mostra fragmentos soltos, sem sistema de arquivos legível. Os dados só voltam a fazer sentido quando as faixas são reunidas na ordem certa, com o tamanho de faixa correto e o ponto exato onde os dados começam em cada disco.
O que costuma dar errado
A causa mais comum é um disco com defeito físico: setores ilegíveis, cabeça de leitura danificada, placa queimada. Também acontece de a controladora ou a placa-mãe ser trocada e o equipamento novo não reconhecer o conjunto, ou de uma atualização de firmware ou de BIOS desfazer a configuração. Em computadores de mesa, o RAID da placa-mãe pode sumir depois de alguém mudar o modo do controlador SATA de RAID para AHCI.
O erro mais caro vem depois da falha: recriar o RAID 0 no utilitário da controladora para “fazer voltar”. Dependendo do equipamento, criar o volume de novo inicializa os discos ou grava uma estrutura nova por cima da antiga. Se a ordem dos discos ou o tamanho de faixa forem diferentes do original, o sistema pode até montar algo, e qualquer gravação nesse estado danifica o que restava.
Como a avaliação funciona
O primeiro passo é copiar cada disco setor a setor para uma imagem, sem gravar nada nos originais. O disco com defeito físico pode exigir reparo antes da cópia, e nem sempre a leitura sai completa. Com as imagens, a remontagem é virtual: identificam-se a ordem dos discos, o tamanho de faixa e o início dos dados em cada um, e só então o sistema de arquivos é lido. Trechos ilegíveis afetam os arquivos que passavam por eles, e o diagnóstico informa o que é provável recuperar.
