Como o espelho funciona
No RAID 1, toda gravação vai para os dois discos ao mesmo tempo. O SNIA descreve esse modo como guardar cada bloco em mais de um dispositivo independente, o que permite sobreviver à falha de um deles. Enquanto os dois estão íntegros, qualquer um tem o conteúdo completo. Em muitos casos, um disco de RAID 1 lido sozinho mostra partições e arquivos, porque não há faixas nem paridade para remontar.
Isso não vale para todo equipamento. Algumas implementações gravam a configuração no início do disco, como o RAID por software do Linux nas versões 1.1 e 1.2 dos metadados, e os dados começam mais adiante. Lido num computador comum, esse disco parece sem partição. O padrão de formato de disco do SNIA (DDF) recomenda guardar a configuração no fim do disco justamente para permitir essa leitura, mas nem todo fabricante segue.
O que costuma dar errado
O caso clássico é um disco que saiu do espelho há semanas sem que ninguém visse o alerta. O servidor segue funcionando com um disco só, e o outro fica parado no passado. Quando o disco ativo falha, alguém reconecta o antigo, força o volume e o sistema sobe com dados velhos. Pior: se um rebuild começar a partir do disco desatualizado, ele grava a versão antiga por cima do disco mais recente.
Outro engano frequente é tratar o espelho como backup. Exclusão, formatação, corrupção do sistema de arquivos e arquivos criptografados por ransomware são gravados nos dois discos no mesmo instante. Nesses casos o RAID 1 está perfeito do ponto de vista da controladora, e o problema é lógico: a recuperação procura o que ainda não foi sobrescrito, como num disco comum.
Como a avaliação funciona
Cada disco é copiado para uma imagem, sem gravação nos originais. As duas imagens são comparadas: datas da última montagem, registros do sistema de arquivos e diferenças de conteúdo mostram qual cópia é a mais recente e qual tem setores ilegíveis. Muitas vezes a imagem final combina trechos dos dois discos. Só depois disso o sistema de arquivos é lido e os arquivos são conferidos.
