Duas paridades, duas margens
O RAID 6 funciona como o RAID 5 com uma segunda paridade. A primeira, chamada P, é a mesma usada no RAID 5. A segunda, Q, usa outro cálculo, em corpo finito (as operações de Galois descritas no padrão DDF do SNIA), e permite refazer dois discos ausentes ao mesmo tempo. As duas paridades giram entre os discos de faixa em faixa. O SNIA define o RAID 6 como capaz de sobreviver à falha de quaisquer dois dispositivos.
A segunda paridade é o que torna a recuperação mais trabalhosa. A forma de calcular o Q e a posição de P e Q em cada faixa variam entre controladoras, sistemas de NAS e o RAID por software do Linux. Remontar um RAID 6 com dois discos ausentes exige identificar essa variante antes de qualquer reconstrução.
Onde a margem se perde
Discos grandes levam muitas horas para reconstruir, às vezes dias, e nesse tempo os outros trabalham no limite. Por isso o RAID 6 costuma ser escolhido em conjuntos de alta capacidade. O problema é que tolerar dois discos dá uma sensação de folga: um disco sai, o alerta não chega a ninguém, e o conjunto passa meses com uma margem só. Quando o segundo falha, resta pouco até o terceiro.
Setores ilegíveis em discos considerados bons também pesam. Com dois discos ausentes, cada setor ilegível num terceiro disco vira um trecho sem reconstrução possível naquela faixa. Controladoras diferentes reagem de jeitos diferentes: algumas marcam o bloco como ruim e seguem, outras tiram o volume inteiro do ar.
Como a avaliação funciona
Os discos são copiados um a um, incluindo os que saíram do conjunto, com registro de cada setor que não pôde ser lido. A reconstrução virtual descobre em que sequência os discos estavam, a largura de cada faixa, a posição de P e Q e o cálculo da segunda paridade. Com isso, trechos ilegíveis de um disco podem ser refeitos a partir dos outros, desde que não faltem mais de dois blocos na mesma faixa. O sistema de arquivos só é lido no fim.
